
AMANHÃ
Se tudo que procuro encontrei em ti, porque me pedes que te esqueças agora?
Não, amigo. Tudo o que busquei foi ventura e jamais poderei olvidar.
A felicidade que senti no encontro não foi sombra fugaz e passageira .
Constante era o meu pensamento no vislumbre da partida e a volta constituía viver para nunca mais separar-te de mim.
Foste, era outono. E acompanharam-me os dias tristes e cinzentos da longa espera.
Senti na natureza uma aliada e companheira, ela também compartilhava da minha desventura.
Porém, ela reclamava a falta das folhas, em seus galhos secos, num lamento triste a confessar ao vento a sua solidão, sua amargura...
Era outono quando tu partiste. E junto a ti as folhas também se foram.

Hoje, depois de muito tempo, olho admirada a paisagem. O que vejo, faz brotar nos lábios um sorriso de alegria, no coração uma suave esperança...
Sim, Esperança... Alimento dos que sofrem.
A natureza refloresceu e está em festa...
Amanhã, quem sabe você voltará...
(em 22/05/70)