
Velho rio
Ah! Velho rio... ainda hoje continuo buscando
em tuas margens, velhas lembranças perdidas,
talvez em algum igarapé esquecidas,
levadas pelas tuas mansas águas
ao som dos batedores das antigas lavadeiras.
A gritaria das crianças atrás dos ariscos lambaris,
isso era felicidade, isso me fazia feliz.
Onde foram aqueles sons? Apagados pelo tempo, talvez...
Hoje, em tuas margens, em lugar do alarido
reina um silêncio triste, como se o próprio rio
também saudade desse tempo sentisse.
E as alegres lavadeiras também já não existem...
foram substituidas por modernas máquinas estáticas, práticas.
Hoje, daquele tempo, restaram tu e eu e a saudade.
Em tuas margens ainda guardas velhos barcos,
velhos remos, que transportavam areeiros e pescadores.
Aqui me encontro, velho rio, pescando saudades...
Zelia Cunha